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domingo, 5 de abril de 2009

Shaivismo da Caxemira

Postado por drashtayoga às 07:30 0 comentários

Tu que és o Supremo que transcende o abismo, Tu que és aquele que não teve início, O Único que penetras-te as secretas profundezas, Tu que descansa em tudo, Tu que és encontrado por toda parte, tanto móvel quanto imóvel, em Ti, Shambu, eu tomo meu refúgio.

Abhinavagupta, Paramarthasára, versículo 1

Não existe nada que não seja Shiva, dizem as escrituras do Shaivismo da Caxemira. Esta é uma filosofia não-dualista [1] cujo fundamento central é que toda Criação é uma Vibrante (spanda) Energia Consciente que se expressa em diferentes formas e nomes. O termo Shaivismo é derivado de Shiva, [2] a Realidade Última (Anuttara), a Consciência Suprema que revela-se em inúmeras formas e nomes, na medida em que é simultaneamente transcendente e imanente.[3]

O Shaivismo da Caxemira iniciou-se por volta do Séc. IX d.C. com Vasuguptáchárya. Em sonho, ele fora instruído pelo próprio Shiva a encontrar uma série de ensinamentos grafados em uma rocha chamada shamkaropala na montanha Mahádeva. Ao acordar, Vasuguptáchárya foi até a montanha e ao tocar na pedra estes ensinamentos se revelaram. A pedra ainda se encontra na montanha, mas as inscrições não são mais visíveis aos olhos humanos, pois quando Vasugupta as memorizou elas desapareceram. Neste sonho Shiva disse-lhe que o mundo havia perdido sua direção e necessitava de uma doutrina que pudesse colocar todos os seres no caminho do verdadeiro ensinamento.
[4] Estes ensinamentos posteriormente ficaram conhecidos como Shiva-Sútras, um compendio de 77 sútras[5] que dão instruções diretas a humanidade e são o coração – ou a semente – da filosofia e disciplina do Shaivismo da Caxemira.[6]

Kshemarájáchárya (975 a 1125 d.C.), discípulo direto de Abhinavagupta,
[7] em seu comentário do Shiva-Sútras atesta o nascimento do Shaivismo da Caxemira como uma revelação em sonho conforme exposto acima. Ele translitera:[8] Na montanha Mahádeva estão às doutrinas secretas inscritas em uma pedra. Recolhe deste lugar estas escrituras e ensine àqueles que merecem esta graça.[9]

Em termos religiosos e filosóficos, a grande importância destes Aforismos de Shiva consiste no fato de que eles foram revelados para contestar os efeitos do dualismo. Portanto o Shiva-Sútras é genericamente chamado de Shivopanisat-Sangraha, i.e. um compendio que contém a doutrina secreta revelada por Shiva. Esta escritura (ágama)
[10] é a pedra filosofal do Shaivismo da Caxemira.

O sistema shaiva de filosofia advaita (i.e. não-dual) e Yoga é genericamente conhecido como shaivágama.
[11] A palavra ágama significa sistema ou doutrina tradicional que demanda fé. Este sistema também é conhecido como Shiva-Shásana. Outros nomes comuns para o sistema shaiva não-dualista da Caxemira são Trika-Shásana, Trika-Shástra, Trika-Sampradáya, Tryambhaka-Sampradáya,[12] Svátantryaváda, Svátantrya ou Rahasya Sampradáya.[13]

Existe uma grande dificuldade quando utilizamos o termo “Shaivismo da Caxemira” pois ele agrega em seu escopo inúmeros grupos, tradições e movimentos. Portanto, neste artigo este termo está conectado ao sistema não-dual de filosofia shaiva, cujas principais escolas são: Spanda, Kaula, Krama e Pratyabhijñá.

Comumente entre os estudiosos o termo Trika-Shástra tornou-se um sinônimo indelével de designação para o sistema shaiva da Caxemira. Trika
[14] literalmente significa tríade, e fora cunhado em relação à síntese exposta por Abhinavagupta. O termo incorpora importantes significados shaivas de acordo com algumas escolas:

1. Shiva (o Ser), Shakti (a Energia) e Nara (o indivíduo limitado);
2. Pará (não-dualidade), Apará (dualidade) e Parápará (a unidade na dualidade);
3. Pati (o Senhor Supremo), Pashu (o indivíduo limitado) e Pásha (o encarceramento, a prisão).
4. As três principais características de Shiva: icchá (vontade), jñána (conhecimento) e kriyá (realização);
5. A tríplice experimentação psicológica, i.e. o sujeito (conhecedor), o conhecimento e o objeto (conhecido).
6. Os três caminhos que levam o ser humano em direção ao Absoluto (Shiva): Shambhavopáya (a via divina), Shaktopáya (a via da energia) e Ánavopáya (a via do indivíduo);
7. Abheda (não-dualidade), Bhedabheda (não-dualidade com dualidade) e Bheda (dualidade);
8. Shiva (o Ser), Shakti (a Energia) e Anu (o indivíduo limitado).

Eu penso que o mais importante significado da palavra Trika para os yogís é a tríade Shiva-jíva-sádhana que pode ser chamada de tríade Consciência-aprisionamento-yoga. O termo assim designa três pontos a serem explorados: 1. a natureza da Consciência (i.e. o Absoluto) e a criação do universo dentro da Consciência; 2. o aprisionamento, a contração da Consciência e a experiência limitada e sofredora e; 3. o sádhana, a prática espiritual que livra o adepto da condição de aprisionamento. Portanto, Trika-Shástra coloca ênfase no sádhana, o aspecto prático ou yogí do Shaivismo da Caxemira.

Esta última definição, assim acredito, é designada para aqueles que estão firmemente estabelecidos em sua prática espiritual. Para aqueles que se interessam pelo Shaivismo da Caxemira e seguem sua disciplina yogí. Este é o coração do shaivismo (Trika Hridayan).

O shaivismo ensina que o estofo básico do universo é consciência pura, e não matéria. Isso pode ser comparado à experiência onírica no qual a consciência do sonhador é o substrato fundamental de tudo o que se apresenta no sonho. A Consciência que subjaz o universo pode ser chamada de Deus. Aqui me refiro a Deus como o Absoluto, além de qualquer forma específica.

Por razões apenas conhecidas a Ele, Deus decide criar o universo e se transforma em muitos. Pelo Seu Poder, que é personificado como Seu aspecto feminino, Ele cria o universo em seu próprio Ser, Ele mesmo se torna uma alma individual pelo processo de contração. Embora ele apareça na Consciência, o mundo criado é real. O universo é na verdade a Consciência que vibra em diferentes freqüências, se transformando mais material e grosseiro na medida em que se densifica.

O ser humano não é nada além de Deus na forma contraída. Quando um indivíduo olha para dentro de si mesmo ele consegue perceber que possui as mesmas qualidades do Absoluto, embora esteja contraído e viciado. Deus possui perfeita vontade (icchá), perfeito conhecimento (jñána) e perfeita habilidade para fazer (kriyá). O ser humano possui estes mesmos poderes em condições limitadas. Eles se apresentam como três nós dentro de seu ser.

O primeiro nó é a limitação da vontade. É a experiência humana individual que, no coração de cada um, aparece como um doloroso senso de separação, fraqueza e miséria. Este é o principal trauma de nascimento quando Deus se torna o indivíduo. A limitação do conhecimento é experienciada na mente. A mente humana experiencia a confusão e perdição na escuridão, portanto não consegue acessar a verdade. O terceiro nó é experienciado na região do umbigo e é sentida como um sentimento de frustração e falta de realização.

O shaivismo nos pede que reconheçamos nossa similaridade com Deus e afinal nossa unidade com Ele. Esta tradição examina a condição humana minuciosamente como uma contração que nos move da condição divina para condição de seres humanos. Ela reconhece o poder de contração e embotamento que possibilita esta condição. O poder é real, mas ele é na verdade um aspecto de Deus. Uma das maneiras pelas quais Ele pode nos mostrar isso é através de sua linguagem. A linguagem que Deus utiliza em Seu verdadeiro estado – como Absoluto – expressa sua estática canção de unicidade, ao contrário da linguagem humana, que tende perpetuar a separação e a fraqueza.

Observando a situação humana, o shaivismo entrega a solução, uma metodologia de superação das fraquezas e limitações humanas. Ele propõe uma compreensiva tecnologia interna designada a resgatar no ser humano sua inerente unicidade com Deus. Para isso, ele dissipa no praticante os nós de seu coração, de sua mente e de sua região umbilical por três métodos que serão abordados no decorrer do texto.

Tendo praticado profundamente estes métodos espirituais, o shaivita (shivaístaou shaiva, praticante do shaivismo) reconhece que a divindade de seu Ser é a mesma Consciência que perpassa o mundo e todos os seres. Não existe mais a distinção entre o divino e o impuro, o espírito ou a matéria. Ele experiencia a liberdade total, brilhando com sabedoria divina, e radiante com amor universal.

Anuttara Kápilanáth Kuláchárya

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[1] Idealismo monístico, idealismo absoluto, monismo teístico, idealismo realista, fisicalismo transcendental ou monismo concreto. Estas descrições dão significado ao ponto de vista de que cit (consciência) é uma realidade única; que a matéria não está separada de consciência, mas sim idêntica a ela; que não existe um abismo entre Deus e o mundo; o mundo não é uma ilusão conforme preconizado pelo Advaita Vedánta. Em outras palavras, ilusão é a percepção imediata da dualidade.
[2] Quando nos referimos ao termo Shiva estamos considerando seu sinônimo, i.e. Consciência Universal, Consciência Cósmica, Realidade Última, uma forma impessoal de Shiva. A mitologia das escrituras hindus como os puránas e diversas lendas populares trazem um considerável compendio de informações para que todo buscador encontre uma forma de Shiva pessoal, coberto de cinzas, envolto por rudrakshamálás, circundado por serpentes, com o Ganges escorrendo de sua cabeça. Essa é uma imagem pictórica de Shiva: o yogí boêmio exaltado em poder e glória transcendental. Nos pújás devocionais os mestres shaivas visualizam esta forma pessoal de Shiva. Aqui nos referimos à forma impessoal.
[3] Esta Realidade Última no Advaita Vedánta de Shrí Shankaráchárya é conhecida como Brahman.
[4] The Yoga of Kashmir Shaivism (Swami Shankaránanda), pp. 44. Motilal Banarsidass, 2006.
[5] Literalmente, fio, cordão, aforismo. Prosa concisa e enigmática na qual aparece redigida uma grande parte dos textos filosóficos do hinduísmo. Um sútra é uma composição de afirmações aforísticas que, unidas, dão ao leitor um sentido como que de um fio ou cordão com que amarrar todas as idéias importantes que caracterizam o sistema.
[6] Os outros manuscritos e escrituras deste sistema são comentários do Shiva-Sútras ou expansões dele.
[7] Veja o artigo Em Busca das Raízes Tântricas do Hatha Yoga.
[8] Existem controvérsias no que concerne à revelação do Shiva-Sútras. 1. Kallata em seu Spanda-Vrtti diz que Shiva ensinou o Shiva-Sútras em sonho a Vasugupta, que vivia na montanha Mahádeva no vale do arroio de Harvan, atrás do horto salimar perto de Shringar; 2. Bháskara em seu Várttika diz que um siddha ensinou o Shiva-Sútras em sonho a Vasugupta. O ponto comum dentre essas três teorias, i.e. a de Kshemarája, Kallata e Bháskara é: o Shiva-Sútras não é criação da mente humana. Eles tiveram sua origem no próprio Shiva e foram transmitidos – ou revelados – em sonho a Vasugupta. Estas controvérsias a respeito da suposta revelação do Shiva-Sútras são enfaticamente discutidas pelos escolásticos da tradição shaiva, contudo, qualquer um que se aprofunde e adquira intimidade com estes aforismos notará que eles provêm de uma fonte elevada. Grandes pândidas, mestres e sábios como Vasuguptáchárya tiveram acesso a essa fonte.
[9] Shiva-Sútras, The Yoga of Supreme Identity (Jaideva Singh), pp. xvi. Motilal Banarsidass, 2006. Esta é uma reimpressão da edição de 1979 da tradução em inglês do Shiva-Sútras Vimarshiní de Kshemarája.
[10] Obras consideradas como a revelação da divindade.
[11] Escrituras shaivas. O termo Shaivágama Yoga denomina o Yoga do Shaivismo da Caxemira ou Shaivismo Trika da Caxemira conforme os códices do Shiva-Sútras.
[12] No último capítulo de seu Tantráloka, Abhinavagupta menciona que dois preceptores estavam qualificados a ensinar o shaivismo: Lakulísha e Shríkantha. O primeiro fora o fundador dos Páshupatas, o segundo deu instruções a três seres perfeitos: Tryambhaka, Ámardaka e Shrínátha. Respectivamente, estes seres perfeitos ensinaram a doutrina shaiva da não-dualidade, dualidade, e não-dualidade com dualidade. A filha de Tryambhaka fundou uma quarta escola identificada como Ardhatryambhaka, que pode ser designada como a Tradição Kaula, chamada de kula-prakriyá por Jayaratha. Enquanto a Tradição Kaula é designada como sendo essencialmente tântrica, Jayaratha, um dos grandes comentadores do Tantráloka que viveu no Séc. XII d.C., sugere uma distinção entre kula-prakriyá e tantra-prakriyá: a primeira está conectada a linha Ardhatryambhaka e a segunda aos ensinamentos não-duais de Tryambhaka.
[13] As palavras shásana e shástra são muito importantes: ambas contêm a raíz shása que significa disciplina. Assim, shásana ou shástra significa técnicas que contém regras para disciplina. Estas palavras na Índia não são disciplinas consideradas como mera exposição intelectual de um sistema em particular. Elas expõem os princípios fundamentais da realidade ao mesmo tempo que lidam com certas regras, certas normas de conduta que devem ser observadas pelos adeptos que estudam e seguem determinadas tradições. Um shástra é um modus operandi, uma filosofia de vida.
[14] “Na Caxemira, o shaivismo se manifestou primordialmente em três sistemas ideológicos distintos de metafísica shaiva: Sphota, Spanda e Pratyabhijñá. Unidas, estas escolas formaram o que hoje conhecemos como Trika, nome pelo qual o Shaivismo da Caxemira é conhecido.” B. Bhattacharya em Shaivism and the Phallic World, vol. II, pp. 653. Munshiram Manoharlal, 1993.

sábado, 28 de março de 2009

Introdução ao Pensamento Filosófico e Religioso da Índia

Postado por drashtayoga às 13:49 0 comentários

Curso on line
[segunda turma]

Genericamente, o nome dado à sua religiosidade pelos nativos da Índia é Sanátana Dharma, designação que significa Religião Eterna ou Dever Eterno. A palavra hinduísmo é um anglicismo que surgiu por volta de 1830 e cuja origem não é bem conhecida, embora sejam aceitas pelo menos duas versões epistemológicas plausíveis. A primeira diz que a palavra hinduísmo seria uma referência às terras entre as cordilheiras do Himalaia e o Cabo Bindu Sarovara, atual Cabo Carmorim. Assim a palavra hinduísmo seria formada pelas sílabas hi (Himalaia) + ndu (Bindu), que posteriormente fora transformada para Hindusthan. Portanto, a religião dos habitantes do subcontinente indiano passou a ser designada Hinduísmo.

A segunda diz que o termo hinduísmo seria derivado da palavra sindhu, designação persa para o rio Indo, que por modificação vocálica passou a ser pronunciada hindu, a religião dos povos ribeirinhos a ser designada Hinduísmo.

Portanto, Hinduísmo não define uma religião única, sendo somente uma designação genérica de cobertura para um grande número de religiões que cultuam diferentes faces do Absoluto, com diversas formas de ritual e percepções da verdade.

Na Índia, segundo o idioma védico, os europeus são chamados de mlechas ou yavanas. De modo similar, “hindu” sempre foi o nome dado aos indianos “infiéis” pelos muçulmanos e mais tarde aos indianos “gentios”pelos missionários cristãos e colonizadores europeus. A Índia originalmente era denominada Bharata-Varsa, i.e. “terra dos descendentes de Bharata” ou Árya-Varsa, “terra dos arianos”, e sua religião original sempre foi denominada Sanátana Dharma ou Vaidika Dharma, i.e. Religião dos Vedas.

Esse dharma¹ não se trata meramente de um corpo de crenças cegas, completamente desconectadas com o dia-a-dia da humanidade, mas sim um conjunto de princípios que visam uma vida saudável e benéfica espiritual e materialmente. Portanto, quem conhece bem estes princípios e atua segundo eles é um verdadeiro áryan (ser humano progressista – seguidor do Vaidika Dharma), que segue o caminho seguro da felicidade tanto individual quanto coletiva, do progresso tanto material quanto espiritual. Vaidika significa “que se relaciona com os Vedas” ou “conhecimento perfeito”. Conseqüentemente, “a religião do conhecimento perfeito”.

Objetivo do curso: esclarecer e fundamentar o pensamento religioso e filosófico da Índia de uma maneira simples e direta, assim como desfazer muitos equívocos advindos de interpretações errôneas acerca do hinduísmo. O curso é uma introdução aos sistemas de pensamento e aos seis pontos de vista (dárshanas) aceitos na Índia.

Publico alvo: Estudantes do Hinduísmo, Yoga e espiritualidade em geral. O conteúdo é de fácil assimilação para aqueles que ainda não possuem nenhum conhecimento sobre o tema.

Conteúdo programático:

Módulo I – A Literatura Védica
Sruti – As bases do Sanátana Dharma
Smrti – A estrutura do Sanátana Dharma
Nyáya – A lógica do Sanátana Dharma
O processo védico de aprendizado

Módulo II – Aspectos Metafísicos
O Absoluto
As Energias do Absoluto

Módulo III – Os Dárshanas
Os Dárshanas Heterodoxos
Os Dárshanas Ortodoxos

Módulo IV – O Hinduísmo como Religião
Vedánta, a metafísica dos Vedas
As principais escolas filosóficas e teológicas do Vedánta
Vaishnavas, Shaivas e Shaktas

Duração: O curso tem a duração de três meses. Será adicionado um mês a mais de acordo com o nível de evolução dos participantes.

Como funciona o curso: Semanalmente será enviada, via e-mail, uma apostila para estudo. Mais material pode ser enviado caso haja a necessidade no intuito de esclarecer as dúvidas dos alunos. Ao final do mês deverá ser enviado pelo aluno, um relatório previamente orientado, sobre as apostilas estudadas. Todas as dúvidas serão tiradas via e-mail.

Investimento: R$ 25,00 (vinte e cinco reais) por mês.

Início do curso: 1 de agosto de 2009.

A ficha de inscrição com mais instruções poderá ser requisitada pelo e-mail
kaulayoga@hotmail.com.

Facilitador: Fernando Liguori (Anuttara) começou a trabalhar com Yoga e Meditação em 1996. Atualmente é professor de Hatha Yoga e vem se especializando no método Iyengar Yoga. Desde a juventude participa de movimentos espirituais nos mais diversos seguimentos. Em suas peregrinações religiosas, estudou o xamanismo diretamente com pajés venezuelanos, chegando a morar na Venezuela, Chile e Argentina. É Mestre Reiki em sete sistemas diferentes e terapeuta holístico. Adepto da Tradição Náth Sampradáya e da Tradição Kaula, linha Trika (Spanda) da Caxemira. Enfermeiro, especializado em enfermagem pré-hospitalar e atendimento de urgência e emergência. Por muitos anos foi professor de Tae Kwon Do, Hap Ki Do e Kickboxing. Mora em Juiz de Fora, MG, com sua esposa e filho, de onde edita os blogs
Náth Uttara Sríkulácára Sampradáya – dedicado ao estudo da Tradição do Yoga, do Tantra e do Shaivismo da Caxemira – e Yoga-Br – dedicado ao estudo do Yoga sob uma perspectiva científica, envolvendo trabalhos na área social, educacional e da saúde.

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1. DhAranAd dharma ity Ahur dharmo dhArayati prajAH: “o que suporta, o que mantêm as pessoas unidas, é o dharma”. (Mahábhárata – Karna-parva, 69:59)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Fundadores

Postado por drashtayoga às 11:01 0 comentários

Fernando Liguori (Anuttara Kulācārya) começou a trabalhar com Yoga e Meditação em 1996. É professor de Śaivāgama e Haṭhayoga. Desde a juventude participou de movimentos espirituais nos mais diversos seguimentos. Em suas peregrinações religiosas, estudou o xamanismo diretamente com pajés venezuelanos, chegando a morar na Venezuela, Chile e Argentina. É Mestre Reiki em sete sistemas diferentes e terapeuta holístico. Em 1999 foi iniciado na Tradição Kaula, linha Trika (Spanda) por Śrī Parameśvāra Āiyar e sua esposa Īśvarī Mā, ambos da região da Caxemira. Atualmente estuda o Śaivismo Trika da Caxemira diretamente com Dr. Mark S.G. Dyczkowski. Mora em Juiz de Fora, MG, com sua esposa e filho, de onde edita os sites Śrīkulācāra – dedicado ao estudo da Tradição do Tantra e do Śaivismo Trika da Caxemira –, e o Movimento Yogī Ambiental – dedicado a conscientização sobre a atual crise ambiental, especialmente para a comunidade do Yoga e seus profissionais contemporâneos, fornecendo informações práticas sobre um estilo de vida sustentável para ajudar a preservar o planeta.


Júlia Marina (Ma'Lika') é professora de Hatha Yoga, meditação, Sociologia, Filosofia, formada em Ciências Sociais (UFJF) – com pós-graduação em “Estado e Sociedade” – educadora perinatal e terapeuta ayurvédica. Mora em Juiz de Fora, MG, com seu marido e filho, de onde edita o blog Yoginí, dedicado ao estudo e a divulgação do Yoga sob um enfoque feminino, e o blog do Projeto Luz Divina, direcionado a gestantes.


Juntos dirigem o centro particular de terapia yogí Kaula - Tantra, Yoga & Áyurveda. Ministram programas abrangentes de treinamento em Yoga e Áyurveda sob uma perspectiva tântrica com propósitos terapêuticos para harmonizar e curar o corpo, a respiração e a mente.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Curso & workshop de Shaivágama Yoga

Postado por drashtayoga às 11:46 0 comentários
O tridente (triśūlābija manḍalam), símbolo e yantra de Paramashiva, representando a tríplice energia de parā, parā-aparā e aparā śakti

Shaivágama Yoga é o Yoga do Shaivismo da Caxemira. O Espaço Kaula elaborou um workshop (um a dois dias) e um curso completo (doze meses) de Shaivágama Yoga ou a prática do Yoga conforme exposta no Shiva-Sútras, o cânone central do Shaivismo da Caxemira.

“Consciência” é a mais profunda experiência na vida. Entre muitas tradições que nasceram no seio do continente pan-indiano, a antiga filosofia do Shaivismo da Caxemira desenvolveu um elaborado sistema de exploração da Consciência jamais visto em outras tradições.

Até o presente, o Shaivismo da Caxemira foi um intricado campo esotérico apenas acessível a eruditos e pesquisadores tanto práticos quanto teóricos. O Espaço Kaula é um dos pioneiros em apresentar a sabedoria desta poderosa tradição de maneira encantadora e inspiradora a todos os buscadores da sabedoria universal.

Neste curso ou workshop exploraremos técnicas com riqueza de detalhes, elucidando idéias com práticas meditativas, delineando um sistema de aprendizado de fácil assimilação.

O curso ou workshop de Shaivágama Yoga irá guiá-lo em uma investigação profunda nos rincões mais profundos de sua Consciência.

Nós recebemos os alunos em nossa casa, em um ambiente familiar denominado "Kula", segundo a nossa tradição. Este curso extensivo ou o workshop pode ser feito em sua escola ou cidade. Entre em contato conosco pelo e-mail:
kaulayoga@hotmail.com. Será um prazer respondê-lo.


A Prática do Shaivismo da Caxemira

Quando nos referimos ao estudo do Shaivismo, remetemo-nos a um dos sistemas de conhecimento mais antigos do planeta, muito citado nas escrituras hindus e também por um grande número de historiadores, pesquisadores e adeptos ocidentais.

O Shaivismo tem sua fundamentação no Shaivacharatantrika, uma das sete principais escolas (sampradáya) shaivas da Índia.

Esse sistema não faz parte dos darshanas (pontos de vista) do Hinduismo. É um sistema próprio de filosofia e prática, não tendo sua origem em nenhuma outra escola.

Os ensinamentos shaiva são considerados shruti, i.e. vieram de uma revelação a um siddha da Caxemira chamado Vasuguptáchárya que, ao receber orientações do próprio Shiva, foi-lhe deixado um tratado chamado Shiva-Sútra que é o principal cânone deste sistema, seguido por outros, feitos por um número considerável de mestres e adeptos no decorrer dos séculos.

O Shiva-Sútra fundamenta-se no princípio de que Shiva é reconhecido como a Realidade Suprema, o Ser Primordial, Paramashiva ou Consciência Cósmica.

Este tratado consta de três upáyas de desenvolvimento: Anavopáya, Shaktopáya e Shambhavopáya.

Anavopáya é o meio (upáya) referido à alma individual. Sua prática é conseguir livrar a natureza de sua ignorância. Esta é a forma mais comum de desenvolvimento com esforço, que pode ser alcançado de cinco maneiras: Uccára, Kárana, Dhyána, Várna e Sthánakalpaná.

Dhyána: É uma meditação. Aqui, o aspirante concentrado no Senhor, estando na forma de lótus (padmásana), se aprofunda em seu íntimo, descobrindo a verdadeira realidade da Consciência Cósmica.

Uccára: Aqui o buscador desenvolve o conhecimento e respira de forma específica, ajustando sua consciência a cada respiração.

Várna: Conduz-se na forma de ouvir o várnopásana na meditação. Esta é, principalmente, uma prática de meditação específica no anáhatacakra (similar a prática do nádánusandhána do Hatha Yoga) e conduz o indivíduo à realização da sua verdadeira natureza.

Kárana:Uma prática que se dá através dos órgãos dos sentidos e das ações e condutas nas atividades diárias. Essa prática se associa a Shaktopáya e é considerada uma das principais práticas neste upáya.

Sthánakalpaná: O indivíduo dirige sua consciência em alguns centros médios do corpo como o anáhatacakra, ou ájñácakra. A recitação simultânea de mantras somente com a mente. Pode ser mencionado que todas estas práticas de Anavopáya estão conectadas com uma prática do cakrodáya e pontos particulares da concentração.

Shaktopáya é a prática do nível intermediário deste sistema. Aqui o desenvolvimento ocorre por práticas com os mantras, realizados com um sentido mais avançado de entendimento. Nesta recitação de mantras a característica principal é Jñána. Nesta via, o praticante começa a se reconhecer quase sem diferenças com o Ser em sua realização. Começa a se desenvolver na via do reconhecimento do “Eu”, o conhecimento transcendental e passa da dualidade à unidade.

Shambhavopáya é uma trajetória na qual o conhecimento da última realidade vem com a prática de esvaziar a mente de absolutamente todos os pensamentos, se reconhecendo como o Ser. Para conseguir se estabelecer nesse curso, o yogí passa a viver no conhecimento de que o universo inteiro subsiste no espelho de sua própria consciência em um sentido universal. A percepção do primeiro fluxo de todas as atividades universais que resultam no estado de Shambho (Shiva).

Compreendendo que tudo, os sons, palavras e expressões, são um mesmo com o Supremo, o shavayogí eleva sempre sua consciência ao Supremo, deixando que ela volte desintegrada no som individual (náda) onde se combina, em última instância, com o Supremo do estado Transcendental. Dessa forma, pela graça do Senhor (Shiva), sua mente é remetida para o estado de Shambhava Samádhi.

A terceira forma de Shambhavopáya é a prática do Eu-Universal. O indivíduo tem que desenvolver o som das palavras e o sentido de que ele é o Ser, vivendo plenamente cada ação. Desenvolvendo este processo, o shaivayogí entra no estado de Shambhava. Estas três formas de Shambhavopáya se associam ao Shaivismo da Caxemira.

Anavopáya é chamado Kriyápaya, porque é experimentado por métodos de ação como recitação de mantras, regulação da respiração, fixação de posturas e de se conectar a uma certa forma divina.

Shaktopáya é chamado Jñánopáya porque é experimentado por métodos de gnose como o reconhecimento do Ser de forma assertiva: “Eu sou Shiva”; “sou Eu o Deus da Consciência e Bem-aventurança”; “o Ser Transcendental” etc.

O terceiro upáya, Shambhavopaya, é chamado de Icchopáya, a via da vontade somente. Neste upáya o buscador vive no mundo do primeiro movimento de todas as ações e de todo o conhecimento. Isso tem significado somente para as grandes almas que tenham desenvolvido o conhecimento de cit (Consciência) com a habilidade do Senhor (Shiva).

Existe outro método mais elevado, sem definição e sem esforço chamado Anupáya. Nascido de Shambhavopáya, é um elevado estado de consciência denominado Anandopáyan (Caminho da Bem-aventurança). Nesse estado, o yogí tem que residir no conhecimento do Transcendental.

Assim como um veneno de uma serpente é transmitido a certa distância para uma pessoa, da mesma forma o mero pensamento de alguém que tenha atingido o estado de Anupáya entra no reino da Bem-aventurança Transcendental. Assim como o pequeno contato da chama de uma vela outra é acesa com o mesmo esplendor, da mesma forma o contato intencional de um grande yogí que reside no estado de Anupáya faz com que o sádhaka entre nesse mesmo estado sem diferenciar o mestre do discípulo. Portanto o método deste upáya, sem nenhuma dúvida, leva a impressão da imortalidade.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Kulácákra

Postado por drashtayoga às 03:55 0 comentários

O Espaço Kaula oferece na purmina (lua cheia) de cada mês o Kulácákra* (também denominado cakrapújá ou bhairavícakra), uma cerimônia tântrica de adoração a Ádi-Shakti Deví na forma da Deusa Kálí.

Esta cerimônia, conforme adaptada por nós para recepção de qualquer pessoa, inclui cântico de mantras, meditações, visualizações conduzidas ou com yantras, a prática do bhutashuddhi (purificação dos elementos internos) e do nyása (consagração sacralizada pelo toque), a realização de ásanas (posturas psico-físicas), pránáyámas (exercícios de expansão da bio-energia) e mudrás (gestos energéticos para canalização e emissão do prána), além de outros elementos do tantrismo conforme a síntese feita pelo grande mestre Abhinavagupta que incorporou a Tradição Kaula elementos da Cultura Spanda, dando origem ao seu sistema dentro da Escola Trika do Shaivismo da Caxemira.**

Tradicionalmente, todas as escolas tântricas cultuam a face feminina do Absoluto como Adi-Shakti Deví, em uma de suas inúmeras formas. Os tântricos de linha shaiva (também conhecidos como shivaístas), dirigem suas adorações às Deusas Kálí e Durgá, consideradas o poder feminino ou as consortes de Shiva.

Além de ser um louvor a Deusa, está é uma oportunidade para se aprender sobre a cultura tântrica e seus mistérios, em um clima de aproximação, respeito e igualdade. Os encontros são abertos a todas as pessoas que queiram conhecer um pouco mais deste Grande Universo Kaula.


Abhinavagupta (975 a 1025 d.C.) ensinando seus discípulos.
Nós recebemos os convidados em nossa casa, em um ambiente familiar, denominado “Kula”, segundo a tradição a qual participamos. Entre em contato conosco para maiores informações através do e-mail: kaulayoga@hotmail.com. Será um prazer retornar sua mensagem.

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* Para maiores informações sobre o Kulácákra e a Tradição Kaula veja o artigo “Em Busca das Raízes Tântricas do Hatha Yoga” no blog “Náth Uttara Sríkulácára Sampradáya”.
** A realização do Rito Pañcamakára (também conhecido como Pañcatattva) está aberta apenas para aqueles que passaram pelo Diksha Pújá ou Ritual de Iniciação.
 

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